
Saio de casa a correr. Estou atrasada, sempre atrasada. Não uso relógio, não quero estar presa aos horários que me impõem todos os dias. Mas hoje é diferente, tenho de chegar a tempo. Vou andar de balão pela primeira vez, um sonho de criança.
Pego nas chaves, na carteira e na máquina fotográfica. Quero guardar para, a posteriori, cada segundo desta viagem. Desço as escadas duas a duas, tenho de chegar a tempo, não podem partir sem mim…
Faço a pequena viagem da minha casa até ao largo da Feira de São Mateus numa correria louca, sem olhar ao que me rodeia, só pensando na viagem de balão…
Quando chego ao ponto de encontro vejo que ainda ninguém partiu. Há balões de todas as cores, estão em fila prontos a seguir viagem. Procuro o meu e de mais um grupo de turistas, como eu. É um balão enorme com as cores do arco-íris.
Entramos no balão, a viagem vai começar, o meu coração bate acelerado, não sei se do medo ou de felicidade. Só sei que quero voar, deixar a cidade que me tem acolhido durante estes anos. Vamos levantando cada vez mais, e mais, e mais… Tento vislumbrar a minha casa do alto, mas só vejo o seu telhado, acho eu… Faço o cálculo mental das ruas onde passo todos os dias: a escola, a Sé, o Parque da Cidade, o Fórum…
Daqui parece tudo tão insignificante, tão pequeno! Já não sou eu que vivo em Viseu. Começo a redescobrir a cidade, as ruelas, as calçadas, as pessoas tão pequeninas!
O balão leva-nos para longe, cada vez mais longe de Viseu, leva-nos para um horizonte longínquo do que redescobri. Não quero voltar, pois para mim é bom voar…
Carla
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