terça-feira, outubro 20, 2009



João Paulo Rodrigues e Pedro Alves, mais conhecidos por Quim Roscas e Zé Estacionâncio, personagens do TeleRural, estiveram em Lamego com um dos seus espectáculos de stand up comedy.

“Fazemos rir, em média, 900 mil pessoas no nosso país”

Inserido no programa do “Fim-de-semana Especial Humor” do Teatro Ribeiro Conceição, João Rodrigues e Pedro Alves voltaram mais uma vez à região do Douro para fazer rir miúdos e graúdos. Num espectáculo bem diferente do que estamos habituados a ver em televisão, os dois comediantes encantaram o público que os recebeu calorosamente, chegando a esgotar a sala semanas antes do evento. O nosso jornal falou com os dois actores sobre os seus projectos e ambições.



Jornal do Douro: Como é que se conheceram e como decidiram seguir a arte da comédia?
João Rodrigues: Conhecemo-nos num bar, na Ribeira do Porto, chamado “Púcaros”, onde eu já trabalhava como comediante. Nessa altura já fazia noites de comédia há cerca de uma ano e meio.
Uma das colegas que trabalhava na rádio com o Pedro, a Susana Branco, que era jornalista do Expresso na altura, estava a fazer uma reportagem precisamente sobre as noites de comédia do Porto. Como eu trabalhava na área entrevistou-me e ao rapaz que fazia as anedotas. O Pedro estava com ela e assistiu a um dos meus espectáculos, acabando por mandar também algumas piadas, ou seja, eu conheci-o mas passado 10 minutos já não o podia ver à frente! (risos)
Cerca de uns meses mais tarde, o Pedro convidou-me para fazer rádio com ele, as manhãs da Rádio Nova Era, acabando por ficar lá.
Depois da rádio é que começamos a levar a comédia mais a sério, viajando pelo país e mostrando o nosso trabalho.

JD: Que gostam mais de fazer stand up comedy ou televisão?
JR: São duas coisas completamente diferentes! Adoramos fazer o TeleRural. É uma experiência diferente, onde criamos várias personagens, podemos inventar bastante, e tem mais visibilidade que o stand up comedy.
Por outro lado adoramos andar por aí, conhecer sítios novos, pessoas… com o stand up temos uma liberdade que não temos na televisão. Nos nossos espectáculos só improvisamos, nunca temos um guião, uma linha a seguir, aqui somos muito mais cáusticos. Por vezes há pessoas que julgam que vêm ver o mesmo que na televisão e depois levam com uma acidez tremenda…

JD: Dia 19 deste mês vai ser o lançamento do DVD do TeleRural. Quais são as vossas expectativas? Qual a sensação?
Pedro Alves: Este DVD foi criado para contemplar toda uma equipa que está por detrás de nós: os guionistas, a produtora, os técnicos… é uma forma de as pessoas poderem conhecer um bocadinho mais do TeleRural.
No DVD podem encontrar cenas que não se vêem na televisão, os enganos, mais umas coisas engraçadas…
Ficamos muito contentes com o lançamento, não sabemos como vai correr agora, se vai vender ou não… mas se vender é bom sinal! É uma prova de que as pessoas gostam de ver os programas mais que uma vez, até porque no meio dos nossos textos há muitas mensagens que, por vezes, não se entendem à primeira…
Estamos um bocadinho expectantes para ver como é que corre. Isto é muito engraçado para nós, é tudo muito novo. Há 10 anos que fazemos stand up comedy, a televisão foi um complemento. Temos duas paixões.

JD: Estiveram nomeados, este ano, no Festival TV de Monte-Carlo. O que é que significou para vós esta nomeação?
PA: Foi altamente! Fomos 2 dias a Monte Carlo armados em grandes estrelas de televisão, jantamos com o príncipe Alberto… mas sinceramente continuámos a é a gostar de uma coisa: no final do espectáculo toda a gente dizer que gostou imenso.
Os nossos espectáculos em teatros, bares, discotecas e festas de empresas, são o background de tudo aquilo que fazemos em televisão, isso sim é muito importante para nós. Sentimos 2 toscos em Monte Carlo…

JR: e fomos de sapatilhas!

PA: Toda a gente a dizia assim “quem são estes?” mas não interessa ninguém nos conhecer, aqui é que toda a gente nos conhece e isso é que é importante…


JD: Como lidam com as críticas que de que foram alvo por alguns espectadores da RTP?
JR: A rir, porque nós achamos que as críticas de que nos acusam não têm qualquer fundamento! Acusam-nos de falarmos mal: nós não dizemos asneiras, acusaram-nos de dizermos muitas vezes “cocó”, eu aprendi isso quando era pequeno, dizem que temos uma linguagem buçal.
O Pedro costuma dizer, e com razão, que o nosso programa faz mexer com alguma coisa, mas eu não consigo perceber como é que o TeleRural, que não goza com ninguém que existe, brinca com a cultura de uma sociedade que não existe, foi tudo inventado de raiz, não se assemelha com nada que acontece no nosso país, a não ser os sotaque… e de repente aparecem aí os “anjos salvadores” e defensores do mundo rural, que nem sabem o que isso é e vêm-nos acusar de gozamos com as pessoas do campo. Ao fim e ao cabo são essas pessoas que mais gostam de nos ver.

PA: Sabes qual é o nosso objectivo agora? Segundo a RTP receberam 117 cartas com estas críticas… agora vamos fazer com que essas 117 pessoas passem a gostar de nós.

JR: Ou pelo menos 17…

PA: Também não nos podem acusar de falta de serviço público quando nós fazemos rir, em média, 900 mil pessoas no nosso país. Perante a fase e crise que estamos a passar é um bom resultado.

JD: Sei que já conhecem o Douro. Gostam desta região?
PA: Muito, muito…
Para mim isto não é regionalismo nem coisa do género, mas é uma diferença enorme, o pessoal aqui para o Norte é uma coisa…

JR: Gosto muito! Eu adoro Lamego! Tenho um grande grupo de amigos aqui de Lamego, feitos graças a um amigo meu da faculdade, o Rui Alegre.

PA: E podemos dizer que a maior parte das vezes que viemos actuar aqui aos bares de Lamego foi muito gratificante!

JD: Querem deixar uma mensagem apara os vossos fãs de Lamego…
JR: Quero deixar um forte abraço para toda a gente desta fantástica cidade e desta zona que eu adoro!

PA: E continuem a fazer este vinho de qualidade inigualável… (risos)

Carla Duarte

quinta-feira, outubro 08, 2009

Teatro Ribeiro Conceição
“Fim-de-semana Especial Humor”



Nos dias 16 e 17 de Outubro o Teatro Ribeiro Conceição, em Lamego, terá um “Fim-de-semana Especial Humor”. A sua programação vai contemplar comediantes do stand-up comedy de renome nacional, nomeadamente: Quim Roscas e Zé Estacionâncio, João Seabra, Hugo Sousa e Miguel 7 Estacas.
Na sexta-feira, dia 16, Quim e Zé apresentam ao público o seu reportório, misturando comédia, música e representação.
No dia seguinte estará em cena a peça “A Verdadeira História de Portugal em 90 Minutos”. Os seus protagonistas vão tentar responder a alguns enigmas da história portuguesa: “Porque é que Camões usava a pala no olho?!”, “Quem inventou as ceroulas de tirilene?”, “Chegará Alberto João Jardim ao trono?!”…
Os dois espectáculos têm hora marcada para as 21.30 e os preços variam entre os 5€ e os 24€.

quinta-feira, outubro 01, 2009


Mais um ano que a Universidade de Aveiro reconhece os seus melhores estudantes atribuindo-lhes bolsas de mérito. Sandra Rebelo é um dos alunos que logrou este prémio.



“Foi como uma lufada de ar fresco”

No dia 23 mais um lamecense foi reconhecido pelas suas notas escolares.
Sandra Rebelo, 24 anos, foi um dos 26 alunos da Universidade de Aveiro, a receber, este ano, uma bolsa de mérito.
Licenciada em Biologia e com o Mestrado em Biologia Molecular e Celular, realizado este ano, Sandra procura agora uma oportunidade no mercado de trabalho, como nos conta em entrevista ao nosso jornal.

Jornal O Arrais – Qual foi a média com que ganhou esta bolsa?
Sandra Rebelo – Com média de 18 valores.

JA – … sendo a terceira melhor média do ano passado na Universidade de Aveiro…
SR – Sim, das 26 bolsas foi a terceira nota mais alta.

JA – Como soube que tinha ganho esta bolsa? E qual foi a sua reacção?
SR – A notícia chegou por correio. Enviaram-me uma carta a congratular por ter sido uma das merecedoras da bolsa de estudo, por mérito.
Tendo em conta que nos últimos dias me dedico a enviar currículos, com escassas perspectivas, confesso que esta notícia foi a única novidade positiva que recebi nos últimos tempos. Foi como uma lufada de ar fresco.

JA – Qual o segredo para conseguir boas médias ao longo do curso? E depois no Mestrado?
SR – Não tenho segredo nenhum, é tudo uma questão de saber conciliar responsabilidade com diversão. Se formos para as aulas e estivermos minimamente atentos e com vontade de apreender o que nos é ensinado: “… é meio caminho andado…” depois o principal passo é tentar chegar a casa e ter o que foi leccionado nas aulas. Não é preciso mais que uma ou duas horas por dia. E o esforço vale a pena! Porque não acumulamos muita matéria por estudar em vésperas de exame, e mantém-se tudo na memória.
Não é preciso abdicar de diversão, festas e saídas à noite, basta saber gerir bem o tempo.
Quanto ao Mestrado, só tive parte laboratorial. A minha nota foi reflexo de fazer aquilo que gosto, e ter sido ensinada pelas pessoas certas.

JA – Como foi sair de Lamego e ir viver/estudar para Aveiro?
SR – Confesso que a primeira reacção foi de medo e ansiedade, afinal de contas ia estar por minha total responsabilidade. Mas a adaptação não demorou muito, em parte, porque “a cidade que me acolheu é bastante hospitaleira”, além de que tenho facilidade em fazer amigos.
Hoje afirmo, com toda a certeza, que foram os melhores 4 anos da minha vida!

JA – Que lhe dizem as pessoas por ter ganho? Família, amigos, conhecidos…
SR – Ficaram eufóricos! Foi muito agradável… recebi várias mensagens e telefonemas de familiares e amigos a dar os parabéns.

JA – Já pensou o que fazer com o dinheiro que ganhou?
SR – Já. Tendo em conta que foi graças ao esforço que os meus pais fizeram durante estes 6 anos (licenciatura + estágio + mestrado) que foi chegar onde cheguei, achei mais que justo oferecer-lhes este cheque.

JA – Acha que sendo premiada com esta bolsa, terá mais hipóteses na entrada no mercado de trabalho?
SR – Não é pela minha boa classificação que posso ser considerada melhor profissionalmente que outro colega com nota inferior. Não é no curso teórico que nos evidenciamos, é no dia-a-dia, na função que desempenhamos, no nosso trabalho… Ter ganho uma bolsa de estudo de mérito não me dá esse estatuto. No entanto, se as entidades empregadoras considerarem este facto uma mais-valia, fico-lhes muito grata!

Carla Duarte